Autonomia é um presente. Você já deu esse presente?

29 de agosto de 2023 - Categoria: Desenvolvimento pessoal

Esse último mês tem sido um tanto quanto desafiador para mim. Minha filha, que já mora fora há dois anos, veio passar uma parte das férias comigo em casa.

Foram dias de muita troca de carinho e aprendizado. Quando a Isa foi estudar fora, ela tinha 18 anos e era uma típica adolescente, que em alguns dias tinha um comportamento com tendências de uma criança e outros de uma jovem adulta.

A minha tendência enquanto mãe é querer proteger e tentar facilitar o caminho para minha filha, mas o meu desafio foi tê-la em casa e compreender que ela não precisa mais ter esse cuidado o tempo todo.

Minha psicóloga há alguns anos já tinha me alertado que ia chegar um momento na maternidade em que seria necessário me posicionar na vida da minha filha como plateia. Nesse momento, minha principal função se transformaria em torcer e ficar feliz com as conquistas delas.

Parece simples, mas na prática, pelo menos para mim, nem sempre é. Quando ela compartilha comigo os projetos em que está trabalhando, a minha tendência é opinar sobre tudo e dar sugestões para que ela faça do jeito que acredito ser o certo.

Mas tenho aprendido que essa não é a melhor maneira. Nesses momentos falo para mim mesma: agora é hora de ser plateia, se ela precisar de ajuda, vai pedir.

Aumento da autoconfiança

No começo meu coração ficava todo apertado, mas tenho percebido que ele já tem se comportado melhor e a sensação é que a cada dia o desafio de deixar minha filha voar sozinha tem diminuído.

Um estudo realizado por Gagné e Deci (2005) intitulado “Self-determination theory and work motivation” (Teoria da autodeterminação e motivação para o trabalho), mostrou que quando os indivíduos têm maior autonomia e liberdade para tomar decisões e realizar tarefas de acordo com suas preferências e habilidades, eles experimentam um aumento significativo na autoconfiança.

Isso ocorre porque a autonomia proporciona um senso de controle e competência, permitindo que os indivíduos se sintam mais capacitados e confiantes em suas capacidades.

E no dia-a-dia percebo que esse estudo faz sentido, por isso tenho me esforçado para incentivar a autonomia. Tem sido um desafio pessoal meu, tanto na minha vida profissional na posição de líder, como na pessoal, no papel mãe e filha.

No papel de empresária, tenho aprendido que quanto mais autônomas as pessoas que trabalham comigo ficam, melhores elas ficam, porque a autonomia dá a liberdade que é necessária para inovar. Mais mentes diferentes pensando em como fazer resultam em mais soluções inovadoras.

Enquanto filha, tenho incentivado meus pais a aprenderem a usar as novas tecnologias para que eles mantenham sua autonomia, o desafio é deixar de lado o que é mais fácil, que é fazer tudo para eles, e investir tempo para ensinar como faz.

No final das contas tenho aprendido que melhor que o papel de protetora é o papel de incentivadora, que entende que cada um de nós tem um conjunto de habilidades e que todos somos capazes de superar os desafios. Então quer presentear? Presenteie a autonomia.

 

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