Esse medo que sinto
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São 17:45 e olho no relógio. Penso que tenho que correr para chegar no meu compromisso às 18 horas. Paro tudo o que estou fazendo e me dirijo para a reunião. Chego e encontro uma sala repleta de jovens com uma energia contagiante, daquelas que faz você esquecer que está cansada e com uma lista enorme de coisas para resolver. Tudo que passo a pensar é em construir um evento com aqueles jovens.
Essa energia contagiante que sinto sempre que estou trabalhando num projeto de voluntariado é uma das respostas que gosto de dar às pessoas quando perguntam o que me motiva investir tempo e energia em projetos que não são remunerados financeiramente.
Não há dinheiro envolvido, mas há tantos ganhos como, por exemplo, quando minha avó Nina faleceu na mesma semana que minha filha foi morar fora para estudar. Fiquei muito próxima da depressão e naquele momento abriu um espaço enorme da minha vida que precisava ser ocupado. O que eu fiz? Aumentei minha presença em projetos de voluntariado, onde pude canalizar minha energia em ações.
A nossa tendência é viver dentro das nossas bolhas, mas os grupos de trabalho voluntário são ambientes com uma diversidade de pessoas tão grande, que me permitiram sair da minha.
Nesses últimos anos tenho presenciado jornadas de vidas tão diferentes da minha, que tem me colocado constantemente para repensar minhas próprias perspectivas e crenças através da compreensão de que o mundo não é branco e preto. Existem muitas nuances e perceber tudo isso tem me permitido crescer como indivíduo, me transformado em uma pessoa muito mais empática.
Muita gente vai dizer que não é verdade o que estou prestes a escrever: sou uma pessoa tímida, mas é! As pessoas não acreditam e contestam quando faço essa afirmação, mas a verdade é que aprendi a lidar com a timidez e hoje só os muito próximos percebem.
Muitos projetos que trabalhei como voluntária me ajudaram a desenvolver habilidades que me permitiram me comunicar melhor. Aliás, treinamento é o que não falta nesses projetos. Se treina de tudo um pouco: liderança, flexibilidade, orçamento financeiro, organização, planejamento, entre tantas outras.
Porém, o mais importante de todas as coisas que já escrevi aqui, é que através do trabalho voluntário nós mudamos o mundo. Uma pessoa sozinha não faz muita coisa, mas quando muitas pessoas se juntam com um único objetivo, as mudanças acontecem e é isso que procuro cada dia que invisto meu tempo num trabalho voluntário: fazer a minha parte na mudança que espero do mundo.
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